ICMBio realiza fiscalização na Bacia do rio Negro
Após denúncia de que novos empreendimentos situados no Mosaico de Unidades de Conservação (UC) do Baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, estariam iniciando atividades de alimentação a botos-vermelhos (Inia geoffrensis), uma equipe composta por representantes do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Centro Estadual de Unidades de Conservação (CEUC) e do Batalhão de Polícia Ambiental do Amazonas realizou ações de fiscalização e orientação ambiental em empreendimentos situados nas UC estaduais Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro e Área de Proteção Ambiental da margem direita do rio Negro em Paduari-Solimões.
Segundo o analista ambiental Marcelo Vidal, coordenador do projeto de ordenamento do turismo com boto-vermelho na bacia do rio Negro, desenvolvido pelo CEPAM, os proprietários dos empreendimentos visitados pela equipe foram orientados a cessar as atividades de alimentação aos animais. As orientações devem-se ao fato de que, desde agosto de 2010, somente os empreendimentos já existentes estão autorizados pelos órgãos competentes a desenvolver este tipo de turismo envolvendo os mamíferos aquáticos.
Vidal complementa que estes empreendimentos estão autorizados porque seus funcionários vêm participando de uma série de cursos (Ecologia Amazônica, Biologia e Conservação de Cetáceos, Turismo Sustentável) e cumprindo as normas de ordenamento do turismo com botos que são monitoradas pelo CEPAM e CEUC.
Dentre as principais mudanças implementadas no modelo de turismo com botos está o fato de somente funcionários dos empreendimentos poderem alimentar os botos, em horários pré-determinados, e em uma quantidade máxima diária de dois quilos de peixe para cada indivíduo, valor equivalente a cerca de 10% da quantidade normalmente capturada por um boto na natureza.
Para Klebson Demelas, analista ambiental do CEUC, as mudanças que estão sendo desenvolvidas permitem o oferecimento de um melhor serviço aos turistas e o devido respeito às normas ambientais. Ele explica que anteriormente ao ordenamento, era comum a oferta de alimentos em quantidade e qualidade inadequadas aos cetáceos, além da ausência do monitoramento dos impactos deste tipo de interação envolvendo mamíferos aquáticos e turistas.
O turismo interativo com os botos-vermelhos é extremamente agradável e pesquisas indicam que esse tipo de atividade permite ampliar o conhecimento e carisma sobre este animal, contribuindo assim para a conservação da espécie, ameaçada em muitas áreas da bacia Amazônica.
Fonte: ICMBio [Foto: Divulgação]




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