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Kátia Abreu e as falácias dos ruralistas.

Escrito por Bosco Carvalho em . Categoria Blog: Bosco Carvalho

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A Senadora Kátia Abreu representa um engano ambiental

O novo Código Florestal brasileiro foi criado para atender às necessidades predatórias de pessoas míopes, manipuladores da informação, focadas nos interesses imediatistas do capitalismo selvagem. Sim, o Código Florestal ainda em vigência, é velho e necessita ser atualizado. Foi elaborado sem levar em conta as diversidades regionais dos inúmeros biomas brasileiros. Mas é um Código Florestal digno do título.

Nada justifica, em momento algum, a necessidade de incluir o perdão para desmatadores que sabiam (e sabem) que é um crime ambiental, jogar por terra muito mais que algumas árvores no novo código. A destruição de biomas inteiros e a extinção de milhares de espécies, que os veículos de comunicação noticiam todos os dias, é fruto do desmatamento e de queimadas irresponsáveis.

A senadora Kátia Abreu chama os ambientalistas de 'minorias derrotadas pelo voto no Congresso Nacional' e as qualifica de antiéticas, mentirosas e falaciosas, quando ela mesma mente. Acusa os opositores ao perdão de criminosos ambientais, de mentirosos e antidemocráticos. Muitos destes atos de insanidade contra a natureza, foram praticados por colegas de mandato da senadora, com processos pendentes na justiça ou nos órgãos ambientais fiscalizadores, que lhes custariam milhões se o novo Código Florestal não fosse aprovado. Ela afirma que os ambientalistas 'incitam' o brasileiro urbano contra os cidadãos do campo, quando na verdade é exatamente o contrário o que ocorre. O pequeno produtor nunca foi ouvido ou respeitado pelas oligarquias agropecuaristas brasileiras.

A senadora se esquece de que faz parte do espírito da democracia a existência de oposição. Ela abusa da expressão 'radicais' numa tentativa sôfrega de desqualificar quem luta por seus ideais e possui opinião diversa daqueles que se autodenominaram 'ruralistas'.

O 'consenso', se é que se pode usar esta palavra para qualificar o que ocorreu em relação ao novo Código Florestal, foi regado pelos milhões dos lobistas interessados em evitar que multas bilionárias fossem aplicadas a desmatadores irresponsáveis.

A campanha de desinformação dos 'ruralistas' de que não existem leis melhores e mais rígidas em outros países do mundo, foi rebatida por cientistas e jornalistas ambientais [leia o relatório da Proforest abaixo]. Mas esta informação passou despercebida pela 'grande' imprensa, habituada a divulgar notícias de rios de sangue e frivolidades sociais e políticas.

Que o legislativo brasileiro não cumpre, definitivamente, seu verdadeiro papel é de conhecimento geral. Inúmeros projetos de lei são aprovados em massa, com pouca ou nenhuma discussão, por parlamentares que só defendem seus interesses pessoais e nem mesmo o de seus 'currais' eleitorais, que é como eles veem e denominam seus eleitores.

A aprovação do novo Código Florestal é um retrocesso ambiental e não corrige os erros do anterior. Muito mais: amplia a possibilidade de que o que antes era crime, passe agora a ser feito sob o amparo da nova lei.

Afirmar que o direito democrático de manifestação organizada é um 'constrangimento' da Presidência da República, é um atestado de intolerância descabida e despropositada da senadora. A livre manifestação de opinião política, religiosa, intelectual e científica e acima de tudo pessoal, está amparada não só na Constituição brasileira, mas também na Declaração Universal de Direitos Humanos.

A senadora Kátia Abreu e seus aliados, representam o que há de mais retrógrado e reacionário na sociedade brasileira. Unidos, lutam com todas as armas, para conseguirem aprovar um Código Florestal anticientífico, imoral e burro.

O que está em jogo não é meramente uma posição 'fundamentalista' de pessoas conscientes e ambientalmente ativas, mas o futuro da raça humana, pois uma coisa é certa: se continuarmos com o desmatamento, deixaremos de existir. De nada vai resolver todo o acúmulo de riquezas e bens materiais e o direito de destruir mais se desaparecermos da face da Terra. Se não tivermos mais árvores, de onde virá o oxigênio que respiramos? De Marte ou da Lua? Não só o oxigênio que respiramos vai faltar, mas faltará também a água para a produção dos bens dos quais os latifundiários se orgulham tanto de poderem produzir e exportar.

O novo Código Florestal é um verdadeiro Cavalo de Tróia. Sua aprovação trará para dentro do Brasil, os inimigos da vida, da sustentabilidade e do sustento (aqui mencionadas lado a lado, pois muitos - até mesmo senadores - usam uma no lugar da outra). As lutas urbanas e rurais causadas pela escassez de alimentos e água já ocorre na África e poderá tornar-se a realidade apocalíptica, mostrada em inúmeros filmes de catástrofe, aqui no Brasil.

A cegueira imediatista da senadora, eleita por um estado (o Tocantins) que sofre com temperaturas infernais no verão, só pode mesmo ser apoiada por quem vive no conforto do ar condicionado de gabinetes pagos com o dinheiro público. A propósito: no Tocantins, nem mesmo o ar condicionado dos carros dá conta de manter o calor fora deles.

A nova onda de democracia que vibra e se manifesta livremente através das redes sociais, já derrubou ditadores em várias partes do planeta em um período menor que o empregado nas discussões do novo Código Florestal brasileiro. Os políticos brasileiros que se cuidem. As redes sociais vieram para ficar. Podem acabar com a hegemonia das imunidades parlamentares com rapidez e eficiência. O povo brasileiro começa a dar provas de que não quer mais se submeter à imposição autoritária de quem tem apenas um mandato popular. Quem colocou os políticos no poder efêmero que tanto os cega e domina, pode retirá-los de lá, num tempo menor que o período de uma campanha eleitoral.

Artigo escrito em resposta ao artigo 'Código florestal e democracia' da Sen. Kátia Abreu, veiculado no Jornal do Tocantins e no O Popular e no site da FAEG.

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